
Apenas 30% dos poços artesianos perfurados pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), entre 2024 e 2025, estão efetivamente fornecendo água à população. O dado faz parte de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), divulgado nesta terça-feira (27), que identificou problemas de planejamento e atrasos na instalação dos equipamentos necessários ao funcionamento das estruturas.
De acordo com o levantamento, foram realizadas 297 perfurações no período analisado. Desse total, apenas 91 poços estão operacionais, enquanto 128, o equivalente a 43%, foram classificados como secos. Outros 75 aguardam a instalação dos equipamentos para entrar em funcionamento.
Os dados foram consolidados pelo TCE-PE a partir de informações fornecidas pelo próprio IPA e de inspeções presenciais realizadas por auditores do tribunal.
Segundo o órgão de fiscalização, a elevada quantidade de poços sem condições de utilização pode indicar deficiências no planejamento das obras, incluindo ausência de estudos prévios sobre as condições geológicas e escolha inadequada dos locais de perfuração.
O gerente de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura do TCE-PE, Jorge Santana, explicou que a existência de água no subsolo não garante, necessariamente, que um poço possa ser utilizado.
“Além de perfurar o poço, é necessário verificar se ele produz água em quantidade suficiente e se ela é adequada para o consumo humano ou animal”, afirmou.
Conforme o tribunal, a classificação de poço seco também é aplicada quando a estrutura não atende aos requisitos mínimos de vazão ou de qualidade da água.
Contratos somam R$ 45,1 milhões
Os contratos em execução para perfuração dos poços totalizam R$ 45,1 milhões em recursos públicos. Os serviços foram distribuídos em três blocos regionais, abrangendo municípios do Sertão, Agreste e das Zonas da Mata Norte e Sul.
A Mata Norte integra o Bloco C, juntamente com o Sertão do Pajeú e Moxotó e os Agrestes Central e Setentrional.
Do total de 297 poços perfurados, 217 estão localizados no Sertão e no Agreste, regiões que concentram 73,1% das intervenções analisadas.
Entre os municípios com maior quantidade de poços classificados como secos estão Sertânia e Floresta, com sete registros cada, além de Caruaru e Exu, com seis cada.
Poços produtivos também enfrentam atrasos
Além das perfurações sem aproveitamento, os auditores identificaram problemas na instalação de estruturas consideradas produtivas.
Durante inspeções em 92 poços já perfurados, o TCE-PE constatou que 24 deles, aproximadamente 26%, haviam sido aprovados nos testes de vazão, mas ainda aguardavam a montagem dos equipamentos necessários para começar a fornecer água.
Segundo o tribunal, os atrasos prolongam a espera das comunidades rurais pelo abastecimento, mantêm a dependência de carros-pipa e podem aumentar os riscos de contaminação e danos às estruturas.
O TCE-PE também apontou a necessidade de aprimorar os estudos de viabilidade hidrogeológica e os procedimentos de escolha dos locais das perfurações, para reduzir o risco de investimentos sem resultados efetivos.
O levantamento permanece em atualização e pode ser consultado publicamente, com informações sobre a localização geográfica dos poços e a situação de cada estrutura.
Consulta pública: https://datastudio.google.com/u/0/reporting/fceac679-61f4-428b-8128-ec5355ebf16d/page/EuM2D



