Livro e documentário sobre a história e romance entre personagens do Cavalo Marinho será lançado na internet


A história e a tradição do Cavalo Marinho, Patrimônio Cultural do Brasil, que nasceu a partir da diversão e encontro dos escravos e índios nos antigos terreiros dos engenhos de cana-de-açúcar, da região da Zona da Mata Norte de Pernambuco, e que se mantém pulsante até os dias atuais, vai ganhar uma versão especial.  A manifestação de cultura popular secular, que reúne música, dança, teatro e poesia, terá versão E-book e documentário.  A cerimônia de apresentação da publicação  acontece neste sábado (19), às 21h. Já a obra audiovisual será exibida na terça-feira (29), quando é comemorado o Dia Estadual do Cavalo Marinho. Os conteúdos podem ser acessados gratuitamente pelo público, por meio da página do Youtube da Ígnea Cultural, produtora e editora pernambucana com foco em culturas populares e literatura.

“O Fogo da Véia e o Corona Vírus” é o título da obra escrita.  A publicação, que tem aspectos de um texto teatral, reúne cerca de 8 cenas e 35 páginas e aborda o romance cômico entre dois personagens do Cavalo Marinho: a Velha do Bambu e o Mateus, durante o período da pandemia.  “A narrativa do livro nasceu a partir de alguns estudos da pesquisa do Cavalo Marinho, Nós já vínhamos realizando algumas pesquisas no Carvalho Studio de Dança, no Recife, juntamente com o professor Frank Sósthenes e articulação de Alê Carvalho. E além disso, também tínhamos realizado várias visitas no terreiro do Boi Pintado, do Mestre Grimário em Aliança na Zona da Mata Norte, por meio projeto Escola das Tradições no Museu do Cavalo Marinho”, conta a pesquisadora e uma das autoras do livro, a mestranda em Artes com foco em Danças Brasileiras e Cultura Popular-UFPB, Lyane Cavalcante.

“Demos início ao trabalho de pesquisa e escrita do livro em 2020, durante o período da pandemia global do Covid-19. Cada integrante da equipe ficou responsável por uma parte da obra literária. Buscamos construir uma escrita literária romancista e um  designer bastante afetuosos, que, sem dúvidas,  promete mexer com o imaginário de pessoas de todas as idades. Estamos muito animados com o resultado”, diz, emocionada, a graduanda em design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), artista e produtora cultural, Gabriela Barros, responsável por assinar o projeto gráfico. A obra teve, ainda, a parceria de  Alexsandra Carvalho, gestora do Carvalho Studio de Dança e Frank Sósthenes, professor de Danças Populares no Studio.

2º Lançamento – No sábado, 29 de Junho, será realizada a estreia de um webdocumentário sobre a trajetória e a importância da manifestação de cultura popular, que há seis anos tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil: o Cavalo Marinho. A  data também marca as comemorações do Dia Estadual do Cavalo Marinho. 

Dentro da proposta do roteiro, o público vai poder conferir um bate-papo especial sobre a música, os adereços e o teatro popular do Cavalo-Marinho.  José Grimário da Silva, de 54 anos, o mestre Grimário como é conhecido, é idealizador do Cavalo Marinho Boi Pintado, fundado em 1993, e que reúne, atualmente, cerca de 21 integrantes.  O grupo tem sua sede localizada em Chã do Esconso, e é um dos dois existentes na cidade de Aliança, na Zona da Mata. 

A estreia do webdocumentário é livre para todos os públicos e acontece na página  do Youtube da Ígnea Cultural, a partir das 21h. 

Tradição – Cavalo Marinho é uma brincadeira típica de algumas cidades da região da Zona da Mata Norte de Pernambuco.  Ao som da rabeca, do pandeiro, da bage e do mineiro instrumentos musicais da apresentação, começa com trupés e pisadas.  As apresentações são compostas, em sua maioria, por adolescentes, jovens e homens ligados ao corte da cana de açúcar, agricultura e produção de lavouras.

O espetáculo cultural acontece ao ar livre, no formato de círculo, com entradas e saídas, no qual os participantes se vestem de figuras que podem ser de animais ou trajando máscaras de couro, papel machê, goma e carvão. Durante a brincadeira surgem várias personagens que nos trazem a reflexão sobre as relações sociais, culturais ligadas ao dia a dia dos brincantes. Ao fim, surge o boi, confeccionado em madeira, decorado com pintura em cores vibrantes, sendo conduzido por um homem que sustenta pelas costas e com a cabeça,  assinalando o término do brinquedo. 

O capitão, outro personagem, adentra a cena junto  com seu apito, canta toadas e despede-se do público. Por tradição a brincadeira popular do Cavalo Marinho acontece no ciclo natalino, e de modo geral se inicia ao anoitecer e vai até “quebrar a barra do dia” (o amanhecer).  A manifestação ainda envolve a louvação ao Divino Santo Rei do Oriente e contém momentos de culto à Jurema Sagrada.

A realização do projeto conta com o incentivo da Lei Aldir Blanc  de Pernambuco, com o apoio da FUNDARPE, Secretaria de Cultura,  Governo do Estado, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal. 

  • Últimas Notícias

  • Vagas de Empego

  • Publicidade