
As cores, as golas bordadas e as lanças que marcam a cultura da Zona da Mata Norte de Pernambuco ganharam espaço no Rock in Rio 2026. Caboclos de lança participaram, no último sábado (12), do cortejo da cultura popular pernambucana organizado pelo cantor João Gomes antes de sua apresentação no Palco Sunset, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
A participação levou para um dos principais festivais de música do mundo uma expressão cultural que tem em Nazaré da Mata um de seus territórios de referência. Conhecida como Capital Estadual do Maracatu de Baque Solto, a cidade mantém viva uma tradição construída por mestres, caboclos de lança, músicos, artesãos, costureiras e famílias que atravessam gerações ligadas aos maracatus da Mata Norte.
Também conhecido como maracatu rural, o Maracatu de Baque Solto reúne dança, música, poesia e religiosidade e está historicamente ligado aos trabalhadores dos engenhos e canaviais da Zona da Mata Norte. A manifestação foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em dezembro de 2014, como Patrimônio Cultural do Brasil, no Livro das Formas de Expressão.
No Rock in Rio, os caboclos de lança abriram caminho para o estandarte de João Gomes durante o cortejo que atravessou a Cidade do Rock. A apresentação reuniu ainda o Maracatu Piaba de Ouro, alfaias, frevo, pernas de pau, o Boi da Macuca e bonecos gigantes de personagens como Homem da Meia-Noite, Luiz Gonzaga e Chico Science, levando diferentes referências do Carnaval e da cultura popular de Pernambuco ao público.
A presença do maracatu rural ampliou a visibilidade de uma manifestação construída nos territórios da Mata Norte. O próprio Iphan aponta Nazaré da Mata como uma cidade que concentra número expressivo de agremiações e destaca a relação do maracatu de baque solto com as comunidades e trabalhadores responsáveis por manter a tradição.
A dimensão dessa vitrine também passa pela história do Rock in Rio. Criado em 1985, o festival colocou o Brasil no circuito internacional de grandes eventos musicais e, ao longo de sua trajetória, realizou edições no Brasil e no exterior. Dados oficiais do evento registram milhões de pessoas nas plateias desde a primeira edição, quando 1,38 milhão de pessoas passaram pela Cidade do Rock.
No palco, João Gomes deu continuidade à presença da cultura pernambucana com o espetáculo “João Gomes e Orquestra Brasileira”. O repertório aproximou piseiro, forró e frevo e contou com referências e participações ligadas à música e à cultura popular do estado, transformando a apresentação em uma mostra da diversidade cultural pernambucana diante do público do festival.

