
Um bebê de apenas quatro meses, identificado como Miguel Ângelo Barbosa, morreu após um atendimento na UTI pediátrica de um hospital localizado em Goiana. A família denuncia que a criança teria recebido leite por um acesso venoso central, utilizado para administração de medicamentos, em vez da sonda nasogástrica destinada à alimentação. O caso foi relatado por familiares que procuraram a Polícia Civil para esclarecer as circunstâncias da morte.
De acordo com as informações apresentadas, Miguel deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz de Rebouças, em Igarassu, no dia 10 de outubro, após apresentar cansaço e dificuldades respiratórias.
Posteriormente, o bebê foi transferido para a UTI pediátrica do Hospital Memorial de Goiana, em Goiana, onde recebeu diagnóstico de bronquiolite, doença respiratória que atinge principalmente crianças pequenas.
Durante o internamento, a criança passou a receber alimentação por uma sonda nasogástrica, devido às dificuldades para se alimentar pela boca. Também foi instalado um acesso venoso central para a administração de medicamentos.
Segundo o pai, José, o filho apresentava sinais de recuperação e havia possibilidade de receber alta hospitalar nos dias seguintes.
A família afirma, no entanto, que uma ocorrência durante a madrugada teria provocado uma piora repentina no estado de saúde da criança.
Conforme o relato dos familiares, uma profissional de enfermagem teria conectado o leite destinado à alimentação do bebê ao acesso venoso central, em vez de utilizar a sonda nasogástrica.
A tia de Miguel, que acompanhava a criança durante o internamento, contou que havia se ausentado por poucos minutos para ir ao banheiro. Ao retornar, percebeu que o bebê apresentava alterações graves e identificou o que considerou uma conexão incorreta do sistema de alimentação.
Segundo a familiar, o bebê começou a apresentar coloração arroxeada e dificuldades respiratórias. Ela afirmou ter alertado a equipe médica sobre a suspeita de que o leite havia sido administrado pelo acesso utilizado para medicamentos.
Ainda de acordo com a tia, profissionais de saúde foram chamados e iniciaram procedimentos de reanimação, incluindo ventilação com oxigênio e massagens cardíacas.
Apesar das tentativas de atendimento, Miguel não resistiu.
A acompanhante também afirmou que a profissional envolvida teria reconhecido que conectou o leite ao acesso central, mas negado que o líquido tivesse sido efetivamente administrado. A familiar, por sua vez, sustenta que o leite chegou a passar pelo dispositivo.
Essa divergência é um dos pontos que precisam ser esclarecidos pela investigação. Até o momento, não há confirmação pericial de que o leite tenha entrado na circulação sanguínea da criança ou de que essa tenha sido a causa da morte.
O pai de Miguel relatou que recebeu uma mensagem durante a madrugada informando sobre o ocorrido e foi chamado ao hospital. Quando chegou à unidade, segundo ele, o filho já havia falecido.
José também afirmou que a profissional de enfermagem apontada pela família não estava mais no hospital quando ele tentou procurá-la. Não há, porém, confirmação independente sobre as circunstâncias da saída da funcionária.
Em entrevista, o pai demonstrou indignação e pediu a apuração das responsabilidades pela morte do filho.
A família informou que procurou a Polícia Civil em Goiana e prestou depoimento sobre o caso. Segundo José, os investigadores deverão ouvir integrantes da equipe médica para esclarecer o que aconteceu durante o atendimento.
O corpo de Miguel foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife, onde passou pelos procedimentos necessários antes de ser liberado para a família.
A causa oficial da morte ainda não foi apresentada nas informações divulgadas.
O caso levanta suspeitas de um possível erro na administração da alimentação hospitalar, mas a confirmação da ocorrência, sua relação com o óbito e eventuais responsabilidades dependerão da investigação policial, da análise dos prontuários e dos resultados periciais.
A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias da morte de Miguel Ângelo Barbosa.



