Com maquinário quebrado roupas do bloco cirúrgico são lavadas de forma irregular na UMC


umc9Roupas estendidas em varais, localizados nas proximidades da lixeira e necrotério, acarretando pouso de insetos, ou por cima de centrífugas enferrujadas (como mostram as imagens). É assim que estão sendo tratadas as vestimentas e campos utilizados no bloco cirúrgico da Unidade Mista Francisco de Assis Chateaubriand, em Carpina.

Segundo informações o problema é uma rotina na unidade de saúde e é comum ver roupas estendidas em varal, pelas dependências do hospital. Apesar do procedimento ilegal é dado inicio ao processo de esterilização, realizado após a secagem, mas na maioria das vezes a autoclave, usado para esterilizar, se encontra quebrada obrigando a realização do serviço em outra unidade de saúde.

O processamento de roupas de serviços de saúde é uma atividade que atualmente teve um grande avanço, considerando ser um serviço hospitalar especializado, e que necessita sem dúvida, de profissionais capacitados, e uma infraestrutura específica. Onde, atenda todas as normas do país. Infelizmente isto não parece acontecer com a Unidade mista Assis Chateaubriand, porque visualizamos o setor da lavanderia totalmente abandonada, sem a menor condições de funcionamento (vejam as fotos). Todo o enxoval hospitalar, em especial, do centro cirúrgico é lavado e tratado como lavagem doméstica.

De acordo com o Processamento de de Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), manual que regula a forma correta dos procedimentos de lavagem, a secagem das roupas deve ser feita em uma secadora, e não a luz do sol. “A secagem é a operação que visa retirar a umidade das roupas que não podem ser calandradas, como uniformes de centro cirúrgico, toalhas, cobertores e roupas de tecido felpudo. A secadora necessita de várias limpezas diárias para impedir o acúmulo de felpas”.IMG-20150815-WA0038

O processo adequado para as roupas do bloco é a calandragem que é a operação que seca e passa ao mesmo tempo as peças de roupa lisa, como lençóis, colchas leves, uniformes, roupas de linhas retas, sem botões ou elástico, com temperatura entre 120 ºC e 180 ºC. É recomendável a utilização de estrados, na área de alimentação da calandra, para evitar que lençóis e outras peças grandes entrem em contato com o piso e sejam contaminados”.

umcEm um estudo, realizado pela médica Adélia Aparecida Marçal dos Santos, e divulgado pela própria ANVISA diz que a roupa possui bactérias que se instalam nos tecidos das roupas e que a lavagem irregular não é capaz de extinguem os microrganismos. “A roupa suja geralmente contém uma grande quantidade de microrganismos. Na literatura especializada, existem relatos com contagens que vão de 106 até 108 bactérias por 100 cm2 de tecido. Os principais patógenos encontrados são bastonetes gram negativos (BGN), destacando-se enterobactérias e Pseudomonas spp. Os gram positivos mais comuns são Staphylococcus sp. (2). A presença de vírus como o HBV ou HIV está associada à presença de sangue ou secreções. A agitação da roupa suja e molhada pode contaminar o ar através da suspensão de partículas e da formação de aerossóis. O contato direto com estas roupas pode contaminar também equipamentos, as mãos e os uniformes dos profissionais de saúde. Mas as mesmas bactérias presentes nas roupas são freqüentemente agentes etiológicos de infecções nosocomiais, estando também presentes no ambiente hospitalar. As tentativas de eliminar ou reduzir estes mesmos tipos de microrganismos presentes no ambiente não resultaram infecções hospitalares. Além disso, numerosos estudos epidemiológicos demonstram que a fonte mais comum para as infecções hospitalares é o meio animado, principalmente as mãos dos profissionais da área de saúde. Portanto, desde que sejam observadas todas as medidas para evitar a contaminação dos profissionais e do meio ambiente, considera-se desprezível o papel das roupas como fonte habitual de infecções (3). Fortalecendo a idéia de que a adesão às rotinas e normas para a lavagem das roupas é fundamental para evitar a transmissão de doenças, foram publicados alguns estudos de surtos relacionando as roupas sujas como fonte dos patógenos (ver quadro 1 ao final do documento). Nos casos relatados, a transmissão provavelmente ocorreu através do contato direto ou pela inalação de aerossóis criados durante a manipulação das roupas contaminadas, sendo claro que as recomendações para a prevenção destas formas de transmissão foram negligenciadas”.

Mantivemos contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do município, que não nos respondeu até o fechamento deste post.

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