Operação Mata Atlântica em Pé 2026 estreia com fiscalização remota, embarga mais de 470 hectares e aplica RS 2,6 milhões em multas

Por Rafael Santos 29/08/2026 10:10 • Atualizado Há 2 horas
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 A Operação Mata Atlântica em Pé 2026 foi realizada simultaneamente nos 17 estados abrangidos pelo bioma. Em Pernambuco, a operação ocorreu de 17 a 21 de agosto, em 41 municípios da Região Metropolitana do Recife, Zonas da Mata e Agreste. O balanço das ações em Pernambuco resultou no embargo de mais de 470 hectares (ha) de áreas desmatadas ilegalmente, o equivalente a 660 campos de futebol, além da aplicação de RS 2,6 milhões em multas.

Este ano a operação contou com uma grande inovação: ao lado da atuação em campo, foram utilizadas fiscalizações e embargo remotos, ou seja, a identificação das áreas e lavratura dos autos de infração por meio de imagens de satélite das plataformas Mapbiomas e Brasil Mais, sem necessidade de ir ao local do fato, tendo sido embargada uma área de cerca de 182 ha por meio dessa tecnologia. O emprego de drones e helicópteros também complementou as inspeções de campo, aumentando a precisão das fiscalizações e reduzindo o tempo de resposta das equipes. 

A operação foi coordenada pelo Ministério Público de Pernambuco, por meio da Coordenação do CAO Meio Ambiente e da 1ª Regional do Núcleo de Proteção Especializada do Meio Ambiente (Nupema) e, além dos parceiros tradicionais  — CPRH, Ibama, BPA e Depoma —, passou a contar também com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Grupo Tático Aérea (GTA) e Polícia Federal. 

Como resultado da Operação nos 41 municípios vistoriados, foram emitidos 133 autos de infração, embargados 474,40 hectares, tendo sido aplicados R$ 2.613.500,00 em multas, além de 21 aves terem sido resgatadas, registrando-se, ainda a apreensão de maquinários, como uma retroescavadeira. A maior multa aplicada foi de R$200 mil, em Glória do Goitá e a maior área embargada foi de 31,02 hectares em Maraial. As áreas desmatadas ilegalmente também sofrem restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao acesso ao crédito rural e a outros instrumentos previstos na legislação ambiental. 

Os 41 municípios são: Água Preta, Amaraji, Barreiros, Belém de Maria, Cabo de Santo Agostinho, Canhotinho, Catende, Chã Grande, Cortês, Cupira, Escada, Feira Nova, Garanhuns, Glória do Goitá, Goiana, Gravatá, Itaquitinga, Jaboatão dos Guararapes, Joaquim Nabuco, Lagoa do Ouro, Lagoa dos Gatos, Maraial, Moreno, Palmares, Passira, Paulista, Paudalho, Pombos, Primavera, Quipapá, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul, São João, São Lourenço da Mata, São Vicente Ferrer, Tamandaré, Terezinha, Timbaúba, Vitória de Santo Antão, Xexéu.

COORDENAÇÃO NACIONAL – A coordenação nacional da Operação Mata Atlântica em Pé é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica. Como nas edições anteriores, neste ano participaram da operação todos os estados abrangidos pelo bioma: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.  

resultado nacional da Operação Mata Atlântica em Pé 2026 foi apresentado durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta (28), no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte (MG), marcando a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica, do qual a coordenadora do CAO Meio Ambiente, Belize Câmara, participará como palestrante do painel sobre alternativas locacionais na supressão da Mata Atlântica.

Em dez dias, a força-tarefa fiscalizou 1.520 alertas de desmatamento emitidos pelo sistema de monitoramento do MapBiomas, constatando 8.370,28 hectares de desmatamento ilegal nos 17 estados inseridos no bioma Mata Atlântica. As ações de fiscalização já resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 100.031.473 em multas, com redução de 14% em relação à edição anterior da operação.

Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, em 2025 foi registrada uma redução de 40% no desmatamento em relação ao período anterior e de 60% na comparação com 2020-2021, alcançando-se a menor taxa em quatro décadas de monitoramento. 

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