
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) converteu um Procedimento Preparatório em Inquérito Civil para aprofundar a investigação sobre possíveis irregularidades na gestão do Ginásio Poliesportivo Municipal de Macaparana.
A investigação apura, entre outros pontos, a cobrança de R$ 20 para utilização do equipamento público, além das condições de manutenção do ginásio e a forma como os valores eventualmente arrecadados foram recebidos, controlados e destinados.
O procedimento tramita na Promotoria de Justiça de Macaparana sob o número 01684.000.065/2025. A portaria de conversão foi assinada pelo promotor de Justiça Matheus Arco Verde Barbosa, em 1º de outubro de 2026.
Prefeitura afirma que cobrança foi encerrada
Durante a apuração, o Município de Macaparana informou ao Ministério Público que o valor de R$ 20 não teria natureza tributária e seria uma contribuição voluntária e facultativa, destinada, segundo a administração municipal, à manutenção imediata do espaço.
O município reconheceu, entretanto, que não havia lei municipal ou decreto regulamentando formalmente a cobrança.
Posteriormente, a Prefeitura informou ao MPPE que reavaliou os procedimentos de utilização do ginásio e decidiu não realizar mais qualquer cobrança de valores, taxas ou contribuições para utilização do equipamento público.
Apesar do fim da cobrança, o Ministério Público considerou que ainda existem questões relacionadas ao período anterior que precisam ser esclarecidas.
MP quer saber quanto foi arrecadado
Com a transformação do procedimento em Inquérito Civil, o MPPE determinou que a Prefeitura informe, no prazo de 20 dias, uma série de informações sobre os valores cobrados anteriormente.
Entre os dados requisitados estão:
- o período em que houve cobrança;
- o valor total arrecadado;
- quem eram os responsáveis pelo recebimento e administração dos recursos;
- como os valores eram controlados e contabilizados;
- qual foi a destinação dada ao dinheiro;
- se os recursos ingressaram formalmente nos cofres públicos.
O município também deverá encaminhar documentos que comprovem as informações, incluindo recibos, relatórios, notas fiscais, comprovantes de despesas e eventuais prestações de contas.
Controladoria também será acionada
O MPPE também requisitou informações à Controladoria Interna do Município de Macaparana.
O órgão deverá informar se houve algum procedimento de fiscalização, controle, auditoria ou tomada de contas relacionado à arrecadação de valores pelo uso do Ginásio Poliesportivo Municipal.
Caso exista documentação sobre eventual fiscalização, a Controladoria deverá encaminhar cópia ao Ministério Público.
Investigação continua
A conversão para Inquérito Civil significa que a investigação terá prosseguimento para esclarecer os fatos e verificar se existem irregularidades que possam resultar na adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais.
A portaria também registra que havia uma manifestação segundo a qual os valores cobrados seriam destinados à manutenção do ginásio, mas que, de acordo com o relato apresentado ao MP, a manutenção não estaria sendo realizada. O documento menciona ainda uma alegação de que o dinheiro estaria sendo destinado a uma pessoa apontada como gerente ou responsável pelo equipamento.
Essas informações fazem parte das alegações que estão sendo apuradas pelo Ministério Público e não representam, neste momento, uma conclusão sobre eventual irregularidade ou responsabilidade.
O procedimento seguirá após o recebimento das informações solicitadas à Prefeitura e à Controladoria Interna.

