Artigo: Goiana: para avançar é preciso mudar!


Incompetência e desonestidade não caem bem em qualquer governante. Quando pelo menos uma das duas características chega ao poder, pode-se esperar o pior. O prejuízo à sociedade é enorme. Mas são nos municípios, com muitos valores distorcidos, que coisas absurdas acontecem. A incompetência, acredite, já destruiu mais políticos que a desonestidade. O incompetente quase nunca tem uma segunda chance na política. Suas carreiras são destruídas facilmente. E quando se mistura com a desonestidade, é caixão e vela preta. Eleitoralmente liquidado. E não deve ser diferente. Temos exemplos recentes na política de Brasília.

O absurdo é o segundo caso. Muitos políticos desonestos ganham uma segunda chance. Às vezes uma terceira, quarta. São perdoados facilmente por parte do eleitor, que forma uma maioria. O povo é mais complacente com quem rouba, do que com quem não faz. Um festival de fichas sujas arrotando moralidade. E saqueando os cofres públicos. Temos diversos exemplos na política pernambucana. O desonesto deve ser banido da política assim como o incompetente. Deve-se mudar a cultura de perdoar os deslizes dos governantes e de parlamentares que se lambuzam com o dinheiro público. Mas, ao contrário, alguns viram heróis. Não é fácil banir um político envolvido em corrupção. Alguns se perpetuam no poder. O caso do ex-presidente Fernando Collor, por exemplo. Recebeu o impeachment e no retorno à política o Estado de Alagoas já lhe deu um segundo mandato de senador e agora pensa em ser candidato a presidente da República.

Em Goiana, assim como outros municípios deste país, não é diferente. Podemos conseguir nos livrar dos incompetentes, mas os desonestos podem continuar com um bom potencial eleitoral. Não é à toa que a política tem sido discutida na justiça.
O que a história ensina é que os governos e as pessoas parecem não aprender com o passado. E não há nada pior que um sem noção com iniciativa. Precisamos virar essa página e começar uma nova política.

Não é nada fácil governar uma cidade. Mas também não é missão impossível. Estamos num momento em que todos se olham e se perguntam: qual é o rumo? O político precisa definir o rumo que quer dar. E falar isso diretamente para a sociedade. Política é olho no olho. Pode ser dado alguns conselhos ao governante. Um deles é que se livre das amarras. Que seja mais independente e confie no instinto. Não terceirize o poder. Nem o ato de governar para radicais da discórdia. Que trabalhe e acredite muito na sorte. Quanto mais trabalhar mais a sorte vai lhe sorrir. E veja as coisas pelo lado bom. A comunicação, da forma certa, ajuda muito.

Existe duas crises no governo. A financeira e a política. Para sair da primeira o governo deve fazer a sua parte, criando mecanismos de arrecadação e de contenção de gastos. Para sair da segunda, só tem um jeito: se a crise é política, faça política. A boa política. Mas o governo tem amarras que impedem um avanço nesse campo. Portanto, a hora certa de consertar o telhado é quando faz sol. Quanto a isso, uns e outros nos bastidores e na opinião pública sugerem nos comentários que o político governante se distancie da incompetência e da desonestidade, pois será o único responsabilizado por tudo o que a equipe de governo faz ou não faz sem seu conhecimento, se é que realmente não sabe de tudo. Por isso, seja um desonesto ou um incompetente, seja ele mesmo ou sua equipe, não dê a ele mais o seu voto.

Alexandre Almeida é acadêmico de Direito e presidente estadual da Juventude Democratas de Pernambuco.

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