
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) avança com uma série de ações em rede e o apoio da Inteligência Artificial (IA) para os mais variados processos, garantindo mais agilidade, transparência e segurança no acesso à saúde pública. Desde 2023, com a criação da Diretoria Geral de Inovação e Inteligência Artificial em Saúde (DGIIAS) até o aumento do orçamento para investimentos, passando pela reestruturação da infraestrutura hospitalar, a saúde digital passou a ser prioridade e tema estratégico em Pernambuco.
De acordo com Rodrigo Brennand, diretor geral de Informatização e Inovação em Saúde, o período posterior à pandemia acelerou o uso de tecnologia na área e foi o marco inicial do processo. “Desde 2020, a tecnologia deixou de ser um item acessório e passou a ser intrínseco à saúde”, apontou Rodrigo.
“Lançamos o aplicativo PE.GOV, que já possui os serviços digitais da saúde. O cidadão tem acesso às suas consultas e exames, aos agendamentos dentro da rede digital nesses aplicativos e estamos no processo de ampliar os serviços nele”, continuou. Segundo Rodrigo Brennand, a ideia é cada vez mais o paciente se comunicar de forma próxima com a área, a partir do uso da tecnologia.
Há, atualmente, uma área específica de hiperautomação, que é uma tecnologia usada para automatizar ciclos de faturamento, comunicação com o cliente e coleta de dados na SES-PE. Também há o uso da LUCI, inteligência artificial que acompanha o pós-operatório dos pacientes. O nome da IA faz referência ao achado arqueológico que é um dos ancestrais mais importantes já descobertos na árvore genealógica humana.
“Há uma exigência da Anvisa para que os médicos acompanhem os pacientes até o final do pós-operatório e isso é importante porque existe a necessidade para o melhor tratamento”, explicou Álvaro Pinheiro, diretor geral da DGIIAS.
“LUCI entra no contato com o pós-operado. Ela tem uma programação para esse acompanhamento e faz a conversação com o paciente. A LUCI verifica se o paciente apresenta algum sintoma e faz orientações sobre os cuidados”, explicou Álvaro. O diretor detalha que a LUCI já está implantada no Hospital Barão de Lucena (HBL), utilizada no pós-operatório das cesarianas. “A LUCI detectou princípios de infecção e evitou que os pacientes voltassem para o hospital. A IA aciona a equipe médica, que entra em contato e evita o agravamento do caso. Ela soluciona o problema na origem”.
Outro projeto que utiliza a Inteligência Artificial é o Colo de Mãe, programa do Governo do Estado cujo objetivo é fortalecer a política materno-infantil de Pernambuco, oferecendo acompanhamento completo e acolhimento ao binômio mãe-bebê, durante toda a linha de cuidado do planejamento familiar, passando pela gestação e pelo parto, até os primeiros dois anos de vida. A IA tem finalidade de produzir insights para apoiar o Colo de Mãe na assistência dessas mães. A ação foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
“Toda nova temática que pensamos na saúde já tem por natureza uma frente digital para apoiá-la. O exemplo mais claro disso foi o lançamento do programa Colo de Mãe, que é um projeto com todo o aparato digital”, resumiu Rodrigo Brennand.
A área de Saúde é a que mais produz dados em comparação. Então, existe uma preocupação para que essas informações possam servir como um fomento para a melhoria de políticas públicas. Até por isso, no final de 2025, foi lançada a Rede Estadual de Dados em Saúde (REDS-PE), uma plataforma estratégica que unifica prontuários eletrônicos de unidades estaduais e municipais.
“A Rede Estadual de Dados em Saúde veio como uma solução para um problema intrínseco da saúde de âmbito nacional. Temos muitos dados e eles não conversam entre si. Isso causa um dano imenso para o cidadão, pela falta de informação de uma forma mais completa. A rede vem para interoperar os dados do prontuário do paciente para que a unidade I, quando tiver informação registrada lá, possa ser consultada pela unidade II”, afirmou Rodrigo Brennand. A REDS, atualmente, impacta na assistência continuada de 12 milhões de pessoas, já que, além da população de Pernambuco, cuida dos dados de quem transita pelo território e recebe atendimento.
Além disso, a Diretoria Geral de Telessaúde (DGT) realiza uma série de ações que otimiza o trabalho dos profissionais de saúde e contribui significativamente para ampliação do acesso aos serviços de saúde, redução do tempo de espera e redução de custos. Para isso, utilizam-se as tecnologias digitais de informação e comunicação para superar barreiras geográficas, facilitando a interação entre profissionais da saúde e cidadãos, proporcionando atendimento acessível, ágil e centrado ao paciente.
De acordo com Marília Eutímia, diretora geral de Telessaúde da SES-PE , o serviço está em plena ampliação. “Nós temos ampliado as modalidades para teleinterconsulta, matriciamento das unidades de Atenção Primária com os programas de telecuidado e telenordeste. Temos mais de 15 especialidades ofertadas nesses dois programas, como por exemplo ginecologia, obstetrícia, cardiologia, endocrinologia, neurologia”, pontuou Marília.
Segundo Marília Eutímia, isso antecipa o atendimento e ao mesmo tempo reserva as consultas presenciais para quem, de fato, tem a necessidade do atendimento presencial. Outro serviço da diretoria que utiliza a tecnologia é o Tele ECG, que oferta laudo a distância para os exames de eletrocardiograma. “Esse serviço é amplamente utilizado em toda a nossa Rede de Urgência e Emergência.” O programa é uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Em 2024, foram iniciados serviços na modalidade de Telerregulação, que é quando a teleinterconsulta, com orientação do especialista, é integrada à regulação de acesso. “Habilitamos a Central de Regulação para realização dos serviços e, quando uma unidade da Rede de Saúde entra em contato com a Central solicitando encaminhamento de pacientes para determinados serviços e procedimentos de urgência, a solicitação é direcionada para o especialista, que discute o caso com o solicitante. Nos casos onde não é necessário o encaminhamento, o especialista já orienta como o caso deve ser conduzido na unidade solicitante, sem necessidade do encaminhamento”, explica Marília.
A diretora cita como exemplo uma pessoa em atendimento em um hospital no Sertão, e a tomografia identifica traumatismo craniano, tornando necessária a avaliação de um neurocirurgião. Antes da implantação do serviço, o paciente era encaminhado para avaliação presencial pelo neurocirurgião, no Hospital da Restauração (HR), em um deslocamento de muitas horas, inclusive com equipe médica acompanhando o paciente.
Nos dias atuais, por meio do serviço da Teleneuro, o neurocirurgião avalia as imagens e o paciente em conjunto, com o profissional da ponta, evitando o encaminhamento quando a cirurgia não é necessária. É mais conforto para o paciente, mais eficiência para a rede de saúde, que oportuniza o acesso ao atendimento presencial para quem realmente precisa. A mesma lógica está sendo utilizada para outras especialidades, como a Tele Ortopedia, Telepediatria e Telepsiquiatria.
“Todo o processo de Telessaúde é fortemente amparado em recursos tecnológicos. É uma oferta de serviços a distância por tecnologia de comunicação e informação, e isso permite a melhoria dos acessos e otimiza a eficiência dos recursos”, concluiu.






