
A Mostra FAGULHA!, programação dedicada às Artes Visuais de Pernambuco, tem inscrições abertas, a chamada pública para os artistas escreverem as suas obras segue até o dia 26 de julho. A Mostra também oferece inscrições de suas três oficinas de formação. Toda a programação é gratuita, acontece em formato digital e conta com recursos de acessibilidade..
A mostra Fagulha articula criação, fruição, formação e reflexão em formato digital. O projeto foi contemplado nos Editais da PNAB Pernambuco, com apoio do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, e do Ministério da Cultura do Governo Federal.
O eixo dorsal da ação é a Mostra FAGULHA!, uma exposição concebida para o Instagram (@fagulha.art.pe). Em vez de tratar o aplicativo apenas como canal de divulgação, a mostra o assume como espaço de exposição, com regras e potências próprias. Serão selecionadas dez propostas, e cada uma receberá prêmio de mil reais. As obras da exposição terão audiodescrição, num compromisso com a fruição das artes visuais por diferentes públicos.
Podem se inscrever artistas visuais residentes em Pernambuco, maiores de 18 anos, de qualquer trajetória e identidade, das quatro macrorregiões do estado: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Região Metropolitana do Recife. Grupos e coletivos também podem participar. As propostas devem ser pensadas para a rede social: imagem estática; série em carrossel de até dez imagens; ou vídeo de até 60 segundos. E podem dialogar com quatro eixos: imagem, filtro e algoritmo; território, periferia e deslocamentos; memória, arquivo e reinvenção; corpo, linguagem e experimentação. A curadoria é dialógica, ou seja, o recorte final nasce do encontro entre a proposta da mostra e os trabalhos recebidos.
A curadoria toma a circulação digital como sintoma da saturação visual em que vivemos e como campo de disputa. Entre anúncios, algoritmos e notificações, imagens artísticas atravessam o mesmo fluxo, podendo produzir reflexões e questionamentos. Assim, o feed deixa de ser apenas uma linha infinita de rolagem e se converte em espaço de montagem, edição e contraponto, onde propostas e poéticas se encontram, se estranham e se reforçam mutuamente.
A seleção será, ao mesmo tempo, recorte e experimento. Recorte, porque reunirá dez artistas a partir de sua chamada pública, compondo um painel significativo de poéticas e estratégias de visuais. Experimento, porque assume o Instagram não apenas como canal de divulgação, mas como espaço expositivo dotado de regras, limitações e potências próprias.
Em paralelo, abrem as inscrições das Oficinas Fagulha, três formações on-line e ao vivo voltadas a profissionais da cadeia produtiva das artes visuais. Os temas são portfólio artístico, presença digital e gestão de carreira. Cada oficina tem 12h de carga horária e até 80 vagas. A programação ainda inclui três Rodas de Diálogo com artistas e profissionais da curadoria e produção cultural, publicadas no YouTube com tradução em Libras.
Segundo a curadoria da mostra, “a escolha das propostas artísticas participantes partirá de alguns eixos: o primeiro é “Imagem, filtro e algoritmo”, que espera reunir propostas que se ocupam diretamente da cultura das telas, com obras que problematizem o uso de filtros, a automação dos dispositivos móveis, a estética do feed, a lógica do like e da visibilidade mediada por algoritmos; o segundo eixo, “Território, periferia e deslocamentos”, busca trabalhos que enfatizem o território como campo de experiência e como construção simbólica, onde o interior e as periferias de Pernambuco emergem como protagonistas, lugares de fala, memória e conflito. O terceiro eixo, “Memória, arquivo e reinvenção do passado e de futuros”, envolve propostas nos quais o passado é tratado como campo de disputa onde silenciamentos são expostos, e o futuro é visto como projeto do qual emergem mitologias individuais e/ou coletivas; o último eixo, “Corpo, linguagem e experimentação”, procura trabalhos que trazem o corpo como lugar de inscrição e que tratem de gênero, raça, sexualidade, espiritualidade, afetos e violências”.



