
Eleito na chapa de uma mulher em 2024, Rostand Negromonte sugeriu que material apócrifo contra a governadora poderia ter partido de sua própria estrutura; declaração gerou forte reação nas redes
O vice-prefeito de Nazaré da Mata, Rostand Negromonte, provocou indignação nas redes sociais após insinuar que os ataques sofridos pela governadora Raquel Lyra, envolvendo a morte de seu marido, poderiam ter sido produzidos pelo próprio grupo político da governadora.
Ao comentar o episódio, Rostand escreveu que a “tática de autoatacar e depois se vitimizar não é nova” e questionou se o material não teria partido “de dentro da própria estrutura”.
A declaração ocorre depois de cartazes apócrifos serem espalhados pelo Recife utilizando a morte de Fernando Lucena, marido de Raquel, para fazer acusações sem provas contra a governadora. A autoria do material ainda é desconhecida.
A fala provocou uma sequência de críticas. Internautas ressaltaram que, além de uma mulher ter sua família e seu luto expostos em um ataque político, sua própria reação à violência passou a ser colocada sob suspeita.
O deputado Gustavo Gouveia respondeu diretamente a Rostand e classificou como grave insinuar, sem provas, que a própria governadora estaria por trás de ataques envolvendo a morte do marido.
Eduarda Gouveia também reagiu à declaração. Em sua resposta, destacou o peso que esse tipo de discurso tem sobre as mulheres e questionou: “Quando uma mulher é vítima de um ato como esse, onde a família dela, o nome do marido falecido é utilizado de forma totalmente desrespeitosa, ela se torna a culpada?” Eduarda ainda chamou atenção para uma realidade em que mulheres atacadas acabam novamente julgadas quando decidem não permanecer em silêncio.
A repercussão ganha um componente ainda mais simbólico em Nazaré da Mata: Rostand foi eleito vice-prefeito em 2024 na chapa encabeçada por Aninha da Ferbom, primeira mulher eleita prefeita do município.
Aninha também se solidarizou publicamente com Raquel e afirmou conhecer “na pele” os ataques direcionados às mulheres que ocupam espaços de liderança.
Até o momento, não existe comprovação sobre quem produziu os panfletos.
Em meio à disputa eleitoral, o episódio deixa uma questão que ultrapassa a política: quando uma mulher tem até a morte do marido transformada em instrumento de ataque e, ao reagir, ainda é colocada sob suspeita, o debate já deixou há muito o campo das ideias.


