Operação investiga gastos de mais de R$ 1,3 milhão com diárias e eventos na Câmara de Limoeiro

Por Rafael Santos 24/09/2026 12:44 • Atualizado Há 1 hora
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Servidores da Câmara Municipal de Limoeiro, no Agreste de Pernambuco, foram alvos da Operação Certificado Vazio, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco na quarta-feira (23). A investigação apura suspeitas de irregularidades na concessão e no recebimento de diárias e no pagamento de cursos de capacitação, com possível prática de peculato. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além de ordens de bloqueio de ativos financeiros.

As investigações tiveram início em julho de 2025. Um dos elementos considerados na apuração é um relatório sobre despesas da Câmara entre janeiro de 2023 e 30 de julho de 2024, período de 17 meses. O levantamento aponta gastos superiores a R$ 1,375 milhão com diárias e inscrições em eventos, como cursos, capacitações e seminários.

Do montante analisado, aproximadamente R$ 917,7 mil correspondem especificamente a diárias. O levantamento comparou esse valor aos gastos registrados em outras câmaras municipais e apontou, no mesmo recorte, R$ 203,5 mil no Recife, R$ 199,2 mil em Goiana, R$ 99,1 mil em Olinda, R$ 97,35 mil em Petrolina e R$ 71,4 mil em Caruaru.

A apuração também aponta indícios de que alguns beneficiários não teriam comparecido aos cursos e congressos utilizados para justificar determinadas despesas. Publicações em redes sociais integram os elementos analisados e teriam indicado a presença de beneficiários em Limoeiro em períodos nos quais deveriam estar participando de atividades em outras localidades. Essas circunstâncias são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Entre os destinos relacionados às despesas aparecem municípios de Pernambuco e localidades de outros estados, como João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba; Brasília, no Distrito Federal; Japaratinga, em Alagoas; e Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte. O levantamento também cita organizações que receberam recursos relacionados às inscrições nos eventos e questionamentos sobre a transparência dos procedimentos de contratação.

No período analisado, a presidência da Câmara Municipal era exercida pelo vereador Daniel Paulo de Moura, conhecido como Daniel do Mercadinho. A referência à gestão em que ocorreram as despesas não significa, por si só, atribuição de responsabilidade criminal ao então presidente. Os nomes dos alvos dos mandados não foram divulgados pela Polícia Civil nas informações públicas consultadas.

Os mandados da Operação Certificado Vazio foram expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Limoeiro e cumpridos em Limoeiro, Jaboatão dos Guararapes e João Pessoa. A investigação é conduzida pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção (2ª DECCOR), vinculada ao Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), com assessoramento da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco e apoio da Polícia Civil da Paraíba.

A investigação prossegue para esclarecer a regularidade dos pagamentos e individualizar eventuais responsabilidades. Até as últimas informações publicadas, os investigados não haviam sido identificados oficialmente.

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