Oposição cobra projeto para militares ao Governo

A Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) cobra do Governo do Estado a apresentação de uma proposta para os policiais e bombeiros militares do Estado, prevista para a última quarta-feira (1º), mas que não chegou à Casa de Joaquim Nabuco no retorno dos trabalhos legislativos, como prometido.

Por Rafael Santos 02/02/2017 16:17 • Atualizado 02/02/2017
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Na última quarta-feira, os parlamentares oposicionistas se reuniram com os representantes da Associação de Cabos e Soldados (ACS), Ação dos Militares do Estado (AME) e Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco (Aspra) para discutir as reivindicações da categoria e forma de contribuição do Poder Legislativo para por fim ao impasse entre militares e o Estado. Nesta quinta-feira (2), representantes das associações militares vão acompanhar a sessão no plenário para pressionar o Governo a enviar a proposta para a categoria e realizam uma reunião em frente à Assembleia.

Para o deputado Silvio Costa Filho (PRB), líder da bancada, é preciso reabrir o diálogo e distensionar as relações entre Estado e policiais para recolocar a segurança de Pernambuco nos eixos. “O Governo do Estado encerrou unilateralmente a mesa de negociação com a categoria, prometeu apresentar uma proposta agora no retorno do recesso parlamentar, mas até não cumpriu o prometido, ampliando ainda mais a insatisfação da categoria”, avaliou.
Segundo o presidente da Aspra, José Roberto Alves, a intransigência do Governo do Estado está jogando a categoria para a radicalização. “A postura autoritária do Governo está prolongando esse impasse. Para nós, é importante ter o apoio dos senhores deputados para construir uma saída. Queremos o apoio dos senhores para acompanhar o projeto, mas também para combater eventuais perseguições”, pediu.

Líder do PTB na Alepe, o deputado Augusto César se apresentou aos militares para ajudar a negociar uma saída para a crise. “Estamos à disposição da categoria para construir uma saída para uma crise que não interessa ao Estado, à categoria e muito menos À sociedade”, destacou.
Albérisson Carlos, presidente da ACS, reforçou o caráter legalista do movimento. “Nosso movimento é pautado na legalidade, mas o Estado tem feito de tudo para acirrar os ânimos. Estamos buscando melhorias efetivas para toda a categoria e o apoio da Oposição, nesse momento, é essencial para a nossa luta”, afirmou.

Presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, o deputado Edilson Silva condenou a proibição de livre associação imposta pelo Governo, assim como a proibição de policiais e bombeiros militares participarem de encontros mesmo em sua folga. “O direito à livre associação é constitucional. Podemos avaliar, no âmbito da comissão, um encontro entre os representantes militares e da categoria para avaliar abusos e um eventual termo de ajuste de conduta”, propôs.

“Sinto ares de democracia, quando somos chamados por um poder, como o Legislativo, para uma reunião e quando paramentares da Oposição nos procuram para empenhar apoio à nossa causa”, declarou o presidente da AME, Tenente Assis. O oficial lembra que a categoria já obteve da Justiça o reconhecimento ao direito de participar de associações e agora estão recebendo o apoio da casa.
Oriundo da categoria, o vice-líder da Oposição, deputado Joel da Harpa, colocou seu gabinete de plantão à espera do projeto do Governo do Estado, que não chegou. “Agora vamos cobrar uma posição do Governo. Esperamos todos os prazos que eles apresentaram, e mais uma vez o Governo descumpriu. Vamos discutir com a categoria a implantação de uma agenda e vamos trazer para esta

Casa o debate sobre a segurança”, anunciou.
Silvio lembra que a crise na polícia amplia o clima de insegurança nas ruas e tem reflexo no crescimento da criminalidade. “Em 2016, infelizmente registramos mais 4.500 assassinatos em Pernambuco. Desde 2008 não se atingia essa marca no Estado. É preciso resgatar os princípios do Pacto pela Vida, e esse resgate passa pela valorização dos profissionais de segurança”, defendeu.

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