Pernambuco reativa três usinas e gera 12 mil empregos em plena crise


cruangi

Desativados há pelo menos um ano, os moinhos de três usinas pernambucanas voltaram a moer nesta safra de 2015. Eles foram reativados nos últimos dois meses, justamente no auge da crise econômica no País. Parecia arriscado, mas o negócio deu mais do que certo. Ao todo, já foram produzidos mais de seis milhões de litros de etanol, 800 toneladas de mel e três de açúcar. A expectativa é que, ao final do ano, cada unidade fature pelo menos R$ 30 milhões. As indústrias de alimentos e cosméticos também registraram crescimento nos últimos meses.

Situadas na Zona da Mata, as usinas já geraram 12 mil empregos diretos e indiretos e foram uma das principais responsáveis pela boa colocação de Pernambuco no último ranking do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): o Estado foi apontado como o maior gerador de vagas do Brasil em setembro. Com uma grande produção de açúcar e etanol, os negócios ainda devem ampliar os bons resultados da produção industrial pernambucana, que cresceu acima da média nacional até agosto deste ano.

“Estamos quebrando paradigmas, porque dizem que usina que fecha não abre mais e 80 unidades industriais fecharam no Brasil nos últimos cinco anos”, diz Alexandre Andrade Lima, presidente da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf), que reabriu as usinas de Cruangi e Pumati. Foi justamente a crise que possibilitou a reabertura. “Enquanto outros estados fecham, nós abrimos. E abrimos na hora certa. Havia um milhão de toneladas de cana sobrando na região e o preço do açúcar reagiu, porque a safra da Índia quebrou. Agora, estamos moendo fila atrás de fila e já estamos exportando até para a Europa”, comemora Gerson Carneiro Leão, sócio da usina Pedroza.

Apesar de tantas possibilidades de lucro, não foi isso que fez os pernambucanos reativarem suas usinas. Tanto que a Cruangi e a Pumati funcionam em sistema de cooperativa. A Coaf explica que a ideia surgiu quando os canavieiros ficaram sem ter para onde levar a cana colhida na Zona da Mata por causa da desativação de diversas usinas brasileiras. “Eles estavam impossibilitados de continuar no trabalho. Muitos já estavam até desistindo da atividade”, explica Alexandre de Andrade Lima. “Mas não podíamos deixar nossos fornecedores quebrarem”, completa Gerson Carneiro Leão, lembrando que quase um milhão de toneladas de cana já estava retido na região.

Para resolver esse problema, a Coaf implantou um modelo de cooperativa nas usinas Cruangi e Pumaty, situadas nos municípios de Timbaúba e Joaquim Nabuco, respectivamente. “Elas fecharam há dois pela impossibilidade de vender álcool, por causa da valorização da gasolina. Mas, agora, foram a salvação dos nossos moedores de cana. Eles levam e recebem pela cana nas suas cooperativas. No final do ano, ainda vão receber parte dos lucros das usinas”, conta Alexandre de Andrade Lima.

E o faturamento não será pequeno. Em apenas dois meses, cada usina já produziu seis milhões de litros de etanol. Se o ritmo for mantido, cada uma deve faturar cerca de R$ 35 milhões em 2015. O dinheiro será repartido entre 12 mil agricultores, que, na maior parte, planta no quintal da própria casa, com a ajuda da família. “96% deles são fornecedores pequenos, da economia familiar”, conta Gerson Carneiro Leão. Já a usina Pedroza, da cidade de Cortês, foca na produção de açúcar e pertence à iniciativa privada. Mesmo assim, deve lucrar o mesmo valor “Produzimos de seis a oito mil sacas por dia. Já vendemos para os Estados vizinhos e até para o exterior”, vibra Gerson.

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