Agricultores comemoram chegada das chuvas, mas falta recipiente para armazenar água


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Foto: Romário Henrique/SERTA

As últimas semanas foram de fortes chuvas em quase todo território pernambucano, em especial na região da Zona da Mata. Dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) registraram a maior chuva dos últimos 29 anos. Água suficiente para encher mananciais, abarrotar barreiros e barragens, fazer transbordar lagos. Mas, mesmo com recorrentes chuvas, o pequeno agricultor enfrenta dificuldades para armazenar água.

Macaxeira, feijão, quiabo, milho, batata, jerimum são alimentos produzidos pelo agricultor Manoel Gomes, 57 anos, da comunidade Maçaranduba, Glória do Goitá, numa área de duas hectares. O que vem do roçado serve para alimentar sua família. Há mais de três anos Seu Manoel não vê a paisagem em volta tão verde. As chuvas das últimas semanas foram capazes de mudar o cenário e trazer esperança de dias melhores para a família.

“A gente tem que conviver com os dois: chuva e sol. Mas sem chover, a gente só tem prejuízo. Porque nem tem lavoura e a água cada vez mais fica faltando pra nós.”

Embora haja chuvas nas terras de Seu Manoel, a falta d’água para o consumo e plantio continuará sendo uma realidade constante. Ele não possui recipientes para armazenar água, nem tem acesso a rede de abastecimento. “Tem um tanque, aqui atrás, mas está isolado porque é descoberto. Pego água para beber no poço artesiano, com vizinho. Precisar irrigar eu preciso. Mas aqui não tem como”, conta.

A agricultora Damiana Geralda, 57 anos, divide sua propriedade com tios e primos, em uma vila de casas localizada na comunidade Maçaranduba. Uma imensa barragem pode ser vista no quintal das moradias. Mesmo tendo água em abundância, as famílias de Maçaranduba não possuem equipamentos para irrigação, fazendo uso apenas doméstico, mas sem abastecimento ligado às casas.

“A gente desce lá embaixo, com baldes na cabeça, e pega água pra lavar pano, tomar banho, lavar o banheiro”.

Outro grande problema enfrentado pelas famílias é o acesso a primeira água. “A gente espera chover pra aparar água nos tonéis pra poder beber. O poço que tem está desmantelado. E, quando não chove, é esperar que venha o carro d’água pra gente beber”, diz Dona Damiana.

Por enquanto, os/as agricultores/as só comemoram as chuvas. O novo plantio deu espaço ao antigo, que não germinou por causa da seca. O milho e feijão já aparecem verdinhos no roçado de Dona Damiana, e Seu Manoel já limpa a plantação de macaxeira. Desta forma, resistem às dificuldades e lutam pela produção de seus alimentos.

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