Morreu na madrugada desta quarta-feira (16), o mamulengueiro Mestre Zé de Vina. Aos 81 anos, José Severino dos Santos, já vinha com complicações de saúde e, ao ser socorrido, foi vítima de um infarto fulminante no hospital da cidade de Lagoa do Itaenga.

O mestre mamulengueiro morava na Vila Nossa Senhora da Glória, pertencente ao município de Glória do Goitá, que faz divisa com a cidade de Lagoa do Itaenga, Zona da Mata de Pernambuco. 

O velório está acontecendo em sua residência e o enterro está previsto para as 16h de hoje, no Cemitério São Francisco de Assis em Lagoa do Itaenga. 

História

José Severino dos Santos  nasceu no dia 14 de março de 1940, em Glória do Goitá, loocalizada a 68 quilômetros do Recife. Além da plantação de mandioca, o município é conhecido também como a “Capital Estadual do Mamulengo”. Tem, inclusive, um museu dedicado ao tema que, em anos normais, recebe 3 mil visitantes no ano. Zé de Vina era filho de agricultores, Severina Antônia da Conceição e de Manuel Firmino dos Santos. A mãe era conhecida pelo apelido de Vina e, por esse motivo, em Glória do Goitá, todos o conhecem pelo nome de Zé de Vina, herdando a referência do nome da mãe, o que é comum na Região Nordeste.

Desde sua infância, o teatro de fantoche despertou fascínio. Seu irmão o levava para brincar de Mamulengo e Zé fez disso sua inspiração. Em 1957, fundou o “Mamulengo Riso do Povo”. A criatividade sempre rolou solta para a criação dos seus bonecos. Muitos foram inspirados em personagens do interior, outros foram criados a partir de sua imaginação. Seus mamulengos marcaram a história das festividades da Zona da Mata de Pernambuco, onde a presença da arte é forte ainda hoje.

Dos 81 anos vividos, 70 foram dedicados ao Mamulengo. Seu teatro, praticamente, esteve em  todas as edições de festas tradicionais da região, nas últimas cinco décadas. Em 2016, Mestre Zé de Vina recebeu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o Prêmio Teatro de Bonecos Popular do Nordeste. Em 2017, foi a vez de ganhar o prêmio Cultura Populares – edição Leandro Gomes de Barros, do Ministério da Cultura.

Na sua terra natal, mamulengueiros e artesãos decidiram homenagear o artista, dando seu nome à Escola Pernambucana do Mamulengo fundada em 2020. O local é uma forma de preservar os ensinamentos de Zé de Vina e dos outros mamulengueiros que consagraram esta arte.

O derradeiro ato

No ano passado, Zé completou 80 anos e, em sua homenagem, o Museu do Mamulengo decidiu criar o projeto “80 anos do Mestre Zé de Vina – o derradeiro ato” e, por conta da pandemia, teve início apenas no início deste mês. Pablo Dantas, um dos responsáveis pelo Museu do Mamulengo de Glória do Goitá e entusiasta do mundo mamulengueiro, lamenta a morte de do Mestre. “Nós que fazemos o Museu do Mamulengo de Glória do Goitá, decretamos luto oficial por três dias em homenagem ao nosso padrinho artístico. Fica na memória seu legado uma pessoa humilde, tranquila, alegre e que amava profundamente o seu brinquedo. Estamos tristes e abalados, mas vamos seguir, pois esta história é fantástica e não pode morrer”.

O projeto segue com programação até março de 2022. Dentre as ações, exposições e oficinas contando a trajetória de Zé de Vina, por enquanto, acontecem de forma online. O acesso a todas as atividades é gratuito. Mais informações podem ser conferidas pelo Instagram do Museu (@museudomamulengo). 

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