Cinco integrantes da mesma família são internados no Recife com suspeita de botulismo

Das cinco pessoas hospitalizadas, três estão na UTI. Todos participaram de um almoço de confraternização no início do ano


Cinco pessoas da mesma família estão sendo investigadas por suspeita de ter contraído botulismo, doença neuroparalítica grave. Três delas estão em unidades de terapia intensiva. A enfermidade é mais comumente relacionada à ingestão de alimentos contaminados pela bactéria Clostridium botulinum. Todos são moradores de Peixinhos, em Olinda. Parentes das vítimas disseram na sexta-feira que elas começaram a apresentar sintomas de mal-estar geral, fraqueza muscular e falta de ar dias após o almoço de ano novo, que reuniu mais de dez pessoas. A suspeita é de que o foco da contaminação foi uma torta de frango ou uma carne industrializada.

“Todo ano é tradição minha mãe fazer um almoço no dia 1º de janeiro, e assim aconteceu este ano também. Ela comprou muita coisa e todo mundo comeu de tudo. Na mesma semana, ela começou a se sentir mal. Foi para o hospital e a suspeita era labirintite”, contou a dona de casa Jaqueline Maria Alves, 46 anos. “Depois de medicada, ela foi liberada, mas dois dias depois piorou e já chegou sem andar”, disse. “Foi quando pensaram em síndrome de Guillain-Barré, mas também não era”, afirmou, sobre o histórico da mãe, Maria Lucia Barbosa, 65 anos.

Segundo ela, cerca de dez dias depois, o pai, José Ronaldo, 69, apresentou muita tosse e engasgos e quando chegou em um hospital privado foi imediatamente internado. Não demorou muito para o irmão dela, Ronaldo Alves, 48 anos, também ser internado às pressas. Os pais estão sendo assistidos na rede privada e o irmão, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC). Temendo também terem sido contaminados, oito familiares estiveram no HUOC em busca de atendimento. Depois de examinados, mais dois deles, que apresentavam tosse, começaram a ser investigados.

“Um caso pode ser considerado suspeito de botulismo se houver sintoma de paralisia facial e dificuldade para engolir, associado ao histórico de ingestão suspeita. A partir dai, a gente colhe as amostras e testa a toxina”, explicou o infectologista do HUOC Filipe Prohaska. O médico disse que o protocolo pede a coleta de amostras do líquido gástrico, fezes e sangue de todos os casos suspeitos para a confirmação, o que não impede o início do tratamento. Segundo ele, a gravidade dos quadros depende da quantidade ingerida de alimento contaminado. Prohaska destacou que é rara a notificação de casos de botulismo.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que os últimos casos de botulismo em Pernambuco ocorreram em 2007 (um caso) e em 2016 (três casos). Nessas situações anteriores, os pacientes evoluíram bem, sem sequelas. Sobre os pacientes de Olinda, a secretaria disse que as notificações ocorreram entre os dias 7 e 25 deste mês. Os dois homens já receberam o soro antibotulínico, que deve ser aplicado até sete dias após o início dos sintomas. Por ter passado desse período, a mulher não tem indicativo para o uso. A vigilância sanitária de Olinda foi contatada pela SES para a investigação dos casos.

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