
Um episódio de descaso com a cultura popular marcou a noite em Nazaré da Mata. O tradicional Maracatu Leão Tucano foi impedido de realizar sua apresentação oficial no polo cultural do município, em meio à programação de carnaval. O grupo, conhecido por representar a tradição do maracatu rural da região, retornava de uma competição no Recife quando enfrentou dificuldades logísticas e falta de suporte por parte da organização local.
Ao chegar à cidade por volta das 18h, os brincantes foram informados de que o horário destinado à apresentação havia se encerrado. Mesmo após a promessa de que poderiam se apresentar no chão com uso do sistema de som, o apoio foi negado, sob a justificativa de priorizar a montagem do show do cantor Geraldo Azevedo.
Diante do impasse, o Mestre Babá improvisou uma breve performance, cantando versos no chão e sem auxílio de microfones para o público que ainda permanecia na praça. Segundo relatos, a equipe técnica e a gestão de cultura municipal não apenas se negaram a fornecer o equipamento prometido, como também apagaram as luzes do palco enquanto o grupo tentava se organizar.
A situação gerou revolta entre os integrantes do maracatu, que apontam prejuízos não apenas simbólicos, mas também financeiros. A apresentação em Nazaré da Mata é uma exigência da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), responsável pelo repasse de recursos às agremiações culturais reconhecidas como patrimônio imaterial do estado.
“Se a gente não brincasse, a gente não ia receber o dinheiro da FUNDARPE”, lamentou um dos integrantes. A não realização da apresentação pode comprometer o pagamento das verbas destinadas ao grupo, comprometendo o trabalho de todo o ano.
Representantes da Secretaria Municipal de Cultura foram procurados pelos brincantes, mas, segundo testemunhas, não apresentaram soluções efetivas. O secretário de Cultura, identificado como Othos, teria repassado a responsabilidade para outros servidores, que também não souberam resolver o problema.
O episódio foi classificado pelos integrantes do Leão Tucano como uma “humilhação” e um ato de desrespeito contra o patrimônio vivo e a cultura popular pernambucana.





