
O projeto de reforma administrativa apresentado pelo prefeito, Marcílio Régio, à Câmara de Goiana tem gerado intensos debates nos bastidores políticos e entre setores da sociedade civil. A proposta, que o governo chama de “modernização administrativa”, prevê a ampliação expressiva do número de cargos comissionados: de 564 para 1.085.
O salto de quase 100% nos postos de livre nomeação foi recebido com críticas por parte de opositores e analistas locais, que veem na medida um movimento de ampliação da influência política do Executivo e uma estratégia de acomodação de aliados, em detrimento de uma reestruturação técnica do quadro administrativo.
Um dos pontos mais polêmicos está na Secretaria de Articulação Política, Governo e Participação Social, que passará a concentrar 84 cargos comissionados — número considerado desproporcional por críticos da proposta. Para muitos, a concentração de funções estratégicas de articulação e relações institucionais na mesma pasta reforça o caráter político da reforma, ampliando o poder do governo sobre as relações internas e externas da administração.
A reestruturação também cria novas secretarias e eleva coordenadorias a status de secretaria, como é o caso da nova Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária Urbana, apresentada como resposta ao déficit habitacional do município, mas acompanhada de uma significativa ampliação de cargos. Outro exemplo é a antiga Coordenadoria de Licitações e Contratos, que será transformada em secretaria, ganhando mais autonomia, estrutura e nomeações em uma área considerada sensível na gestão pública.
Apesar do discurso oficial de modernização e eficiência, o projeto é visto por parte da oposição e da população como um avanço do aparelhamento político na estrutura municipal. O texto ainda será analisado e votado pelos vereadores de Goiana nas próximas sessões da Câmara.


