
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Timbaúba, expediu a Recomendação nº 001/2026 no âmbito de um inquérito civil que apura possíveis irregularidades na gestão de pessoal do município.
O documento, assinado pelo promotor de Justiça Helmer Rodrigues Alves, orienta a Prefeitura de Timbaúba a adotar medidas para regularizar a nomeação de candidatos aprovados no Concurso Público nº 001/2023, voltado às áreas de saúde e educação.
Indícios de irregularidades
Segundo o MPPE, há indícios de que candidatos aprovados dentro do número de vagas ainda não foram nomeados, enquanto a administração municipal mantém contratações temporárias para exercer as mesmas funções — prática que pode violar a Constituição Federal.
A recomendação destaca que o concurso público é a regra para ingresso no serviço público, conforme o artigo 37 da Constituição, e que contratações temporárias só devem ocorrer em situações excepcionais e de interesse público comprovado.
Levantamentos com base no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) apontam a existência de profissionais atuando na Estratégia Saúde da Família com vínculos precários, inclusive em cargos previstos no concurso. Além disso, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), por meio do Acórdão nº 667/2024, já havia identificado a ausência de servidores efetivos em determinadas funções no município.
Determinações ao município
Entre as principais medidas recomendadas pelo MPPE estão:
- Elaboração e divulgação de um cronograma público de convocação dos aprovados;
- Nomeação progressiva dos candidatos dentro do número de vagas;
- Suspensão de novas contratações temporárias para funções já contempladas no concurso;
- Regularização do quadro de pessoal, especialmente na Estratégia Saúde da Família;
- Ampliação da transparência sobre vínculos funcionais e contratos temporários.
Prazo e possíveis consequências
O município de Timbaúba tem prazo de 30 dias para informar se acata ou não a recomendação e apresentar as providências adotadas.
O MPPE alerta que o descumprimento poderá resultar na adoção de medidas judiciais, como a propositura de Ação Civil Pública e a apuração de eventual ato de improbidade administrativa por violação aos princípios da administração pública.
A iniciativa, segundo o órgão, busca garantir o cumprimento da legalidade, assegurar o direito dos candidatos aprovados e evitar a manutenção de vínculos precários em funções permanentes do serviço público.





