
A cultura popular de Pernambuco se sustenta na continuidade dos saberes que atravessam gerações e permanecem vivos através do ofício de mestres e artistas do sertão ao litoral. É a partir deste entendimento e reconhecendo a centralidade das manifestações populares que o Governo de Pernambuco, através da Fundarpe e Secult-PE, lança o 21º Concurso de Registro do Patrimônio Vivo. O edital abre inscrições no dia 6 de abril e segue até o próximo dia 30.
Mais do que um reconhecimento simbólico, o registro do Patrimônio Vivo garante bolsas de incentivo financeiro a mestres, mestras e grupos culturais, contribuindo com a salvaguada dos modos de fazer e práticas tradicionais que estruturam a identidade pernambucana. Em 2026, os valores foram atualizados para R$ 2.479,41 para pessoa física e R$ 4.958,85 para pessoa jurídica, reforçando o compromisso do Estado com a manutenção dessas trajetórias.
Ao longo dos anos, o concurso vem se consolidando como uma das principais políticas públicas de salvaguarda da cultura popular em Pernambuco, com a seleção de até dez novos Patrimônios Vivos a cada edição.
Podem concorrer pessoas físicas e grupos – com ou sem CNPJ – que comprovem atuação e residência em Pernambuco há pelo menos 20 anos, além de trajetória consolidada na cultura tradicional ou popular e capacidade de transmissão de seus conhecimentos a novas gerações. As inscrições devem ser realizadas única e exclusivamente através da plataforma do Mapa Cultural de Pernambuco.
Edição mais acessível e inclusiva – A edição de 2026 marca um avanço importante no fortalecimento do concurso enquanto política pública, com mudanças que ampliam o acesso, a participação e o reconhecimento das especificidades da cultura popular. Em um estado onde a cultura se perpetua na prática diária, ouvindo, observando e fazendo, o reconhecimento também começa a se adaptar às formas de expressão dos seus mestres.
A principal novidade é a possibilidade de inscrição em formato semi-oral, permitindo que candidatos e candidatas realizem a apresentação e defesa de suas trajetórias por meio de vídeo, sem a obrigatoriedade de elaboração de um texto escrito. Não há exigências quanto aos meios de produção: o material pode ser gravado com recursos acessíveis, como o próprio celular, ampliando o alcance da política.
“Quando incorporamos a possibilidade de inscrição em vídeo, estamos reconhecendo que muitos dos nossos mestres e mestras têm na oralidade a base do seu conhecimento. Isto é uma ampliação real de acesso e de escuta”, destaca a presidente da Fundarpe, Renata Borba. “O concurso de Patrimônio Vivo se consolida como uma política pública essencial para Pernambuco e reforça o compromisso da gestão Raquel Lyra com a valorização da diversidade cultural do nosso Estado.”
Outra mudança é a retomada da etapa de defesa das candidaturas, que poderá ser realizada de forma presencial ou on-line, a critério dos candidatos. Suspensa durante o período da pandemia da Covid-19, a etapa retorna como opção, fortalecendo o caráter público e dialógico do processo.
Além disso, o edital passa a contar com formações durante o período de inscrição, oferecendo orientação direta aos candidatos, e incorpora audiências públicas de defesa das candidaturas, ampliando a transparência e a participação social.
“O Concurso de Registro do Patrimônio Vivo, lançado anualmente pelo Governo do Estado de Pernambuco, é uma política estruturante que reafirma o compromisso da gestão da governadora Raquel Lyra com a preservação da nossa cultura popular através do reconhecimento de novos mestres, mestras e artistas pernambucanos. Mais do que reconhecer, estamos garantindo condições para que esses saberes continuem sendo transmitidos e reinventados pelas próximas gerações”, expressa a secretária de Cultura do Estado de Pernambuco, Cacau de Paula.
Sobre o concurso – Criado em 2002, o Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco tem como finalidade reconhecer, valorizar e garantir condições de continuidade aos saberes e práticas da cultura tradicional e popular. Ao longo de mais de duas décadas, o programa se consolidou como uma política estruturante de preservação do patrimônio imaterial, com impacto direto na vida de mestres, mestras e grupos culturais de todas as regiões do estado.
Além do apoio financeiro, o título de Patrimônio Vivo fortalece trajetórias, amplia visibilidade e contribui para a transmissão de conhecimentos por meio de ações formativas, projetos e intercâmbios culturais. Desde sua criação, mais de uma centena de mestres, mestras e grupos já foram reconhecidos, compondo um mosaico vivo da diversidade cultural pernambucana.






