Após intercâmbio do Ganhe o Mundo, estudante de Nazaré da Mata volta ao Chile para trabalhar

O pernambucano foi convidado a viver com a mesma família que o abrigou em 2015 e agora trabalha na Fundação Inside Chile


Fazia pouco mais de um mês do acidente. A casa onde mãe e filha moravam pegou fogo. As duas não sobreviveram ao incêndio. Quando Miquéias chegou naquela família enlutada para conviver durante seis meses, preencheu lacunas de afeto sem nem perceber. O estudante de uma escola pública de Nazaré da Mata, na Mata Norte, desejava apenas estudar espanhol em outro país. Sua missão no Chile foi além.

Miquéias Victor Araújo da Silva embarcou para aquele país aos 15 anos, através do programa de intercâmbio Ganhe o Mundo. Era o segundo semestre de 2015 e ele cursava o segundo ano do ensino médio na Escola Maciel Monteiro, em Nazaré da Mata. “Eu acho que cheguei no momento certo para dar luz àquela família. Meus pais de lá não eram voluntários do programa, mas, mesmo com o coração em luto, resolveram me receber e passei a fazer parte da família.” Seis meses depois a experiência acabou e o estudante voltou para Pernambuco.
Por dois anos, ensinou espanhol e cursou administração no interior. Há um ano, o estudante, agora com 18 anos, voltou a morar no Chile. Foi convidado a viver com a mesma família e agora trabalha na Fundação Inside Chile, que recebe os intercambistas, e estuda engenharia da informática em uma universidade. “Desde criança eu queria fazer esse curso. Sou do interior. Trabalhar e estudar na capital era difícil para mim. No Chile, trabalho, faço universidade e tudo é mais perto.”


No último dia 3 de janeiro, Miquéias voltou a Carpina para visitar os parentes e amigos. Fica até o dia 3 de fevereiro. Sempre que der, pretende voltar a Pernambuco para matar as saudades, principalmente dos pais, um motorista de ônibus e uma funcionária de uma lanchonete. “Morar no Chile foi uma decisão difícil. Mas estou feliz por tomar essa decisão.”


Miquéias diz ter construído laços para a vida inteira no Chile. “Muitas pessoas erram quando viajam e ficam conectadas com o Brasil. Eu fui para interagir, buscava sempre conversar com a família que me abrigou. Não me trancava no quarto. Esse é um erro muito comum de quem faz intercâmbio”, pontuou. Miquéias disse que em seis meses também ganhou maturidade. “Era responsável pelo meu dinheiro, minha comida, a ida à escola. Tudo muda.”


A Gerência Regional de Educação da Mata Norte (GRE) recebeu, por dois anos seguidos, o título de primeiro lugar no estado em número de alunos classificados no Programa Ganhe o Mundo, criado em 2011 com o propósito de aumentar a proficiência das línguas inglesa e espanhola entre os estudantes da rede estadual.


Mais de sete mil estudantes já fizeram o intercâmbio através da ação, que oferta, atualmente, as modalidades Tradicional, Musical e Esportiva nos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Chile, Espanha, Argentina, Uruguai, Alemanha e Colômbia. O próximo passo é dominar o inglês e percorrer o mundo.

Diário de Pernambuco

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